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Primeira Conferência Nacional de Segurança Pública

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Eixo 2 - Financiamento e gestão da política pública de segurança

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Um dos grandes entraves à melhoria efetiva de resultados das políticas de segurança pública reside na cultura de improvisação no que se refere à gestão, traduzida numa perspectiva de trabalho pontual e de horizontes de curto prazo. A racionalidade nunca foi marca das políticas nesse campo e os princípios básicos de gestão (elaboração de diagnósticos dos problemas enfrentados, planejamento estratégico e monitoramento sistemático de resultados) são ações estranhas ou pouco costumeiras nesse universo.

Essa defasagem não está relacionada apenas a uma determinada cultura gerencial, mas reflete a falta de subsídios para transformá-la. Um exemplo é a ausência de dados estatísticos e indicadores confiáveis que possam nortear, com credibilidade, a definição mais precisa de metas e prioridades. Via de regra, os indicadores de criminalidade, de confiabilidade precária, são o único norte, o que reforça a ideia de que segurança é um problema de polícia.

O custo da violência sempre foi um assunto secundário frente às altas taxas de criminalidade. O volume de recursos dedicado à área de segurança ou os critérios adotados para a sua alocação sempre foram objeto de discussões tímidas. O resultado é que, do ponto de vista da administração pública, as políticas de segurança sofrem com a ausência de coerência, qualidade e eficiência e não orientam uma reflexão permanente a respeito da própria política pública. Consequentemente, a sociedade não pode cobrar a responsabilidade das instituições da área de segurança, o que estabelece um ciclo vicioso refratário à efetividade que se contrapõe ao necessário ciclo virtuoso das políticas.


I.
Quando se passa a compreender a segurança pública a partir da perspectiva de uma política pública voltada para a garantia de um dos direitos sociais fundamentais, deve-se iniciar uma profunda discussão sobre o modelo de financiamento da segurança pública. Em nível federal o setor possui atualmente três fontes: o Fundo Nacional de Segurança Pública, o Fundo Nacional Penitenciário e, recentemente, o Pronasci, que são acessados pelos entes federados apenas por meio de convênios.

Buscar formas estáveis e montantes suficientes para o financiamento do sistema é meta a ser alcançada. A construção de um modelo de repasse fundo a fundo de recursos, com critérios assentados nas diretrizes do Conselho Nacional de Segurança Pública (CONASP) e controlados pelos demais Conselhos Estaduais e Municipais de Segurança Pública, é uma estratégia a ser amadurecida.

Essa discussão deve passar ainda pela definição de patamares mínimos para o vencimento dos profissionais da segurança pública, conforme as realidades e distorções regionais e buscando alcançar as condições necessárias para um novo regime da jornada de trabalho.    


II.
A gestão orientada por resultados passa a ser ferramenta fundamental para a promoção de ações estratégicas, incluindo elaboração, implementação, monitoramento e avaliação dos resultados das políticas de segurança pública. Nesse contexto, a possibilidade de condicionar, de maneira progressiva, a aplicação de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública à adoção de indicadores que orientem o planejamento, execução e monitoramento das políticas (Ex.: elaboração de planos estaduais e municipais de segurança pública, compromisso de divulgação de resultados semestrais), é uma forma de promover maior diálogo entre a política nacional e as políticas estaduais e municipais, ao mesmo tempo em que são fomentadas reformas institucionais dos órgãos de segurança pública.

A profissionalização da gestão da segurança depende diretamente da produção de conhecimento - coleta, organização, análise e disseminação de informações. Metodologias alternativas de avaliação de políticas públicas, até então pouco utilizadas, como pesquisas de vitimização e satisfação da sociedade com os órgãos de segurança, podem contribuir para mapear de forma completa e rigorosa os espaços e situações nos quais a intervenção é necessária.  A formulação de indicadores de desempenho de segurança pública fortalece uma cultura de avaliação, transparência e prestação de contas periódica e criteriosa capaz de padronizar resultados, auditar a gestão dos recursos, bem como estabelecer metas para o futuro.

A baixa qualidade da informação criminal, a duplicidade que muitas vezes compromete o valor das estatísticas, a disparidade que ainda marca a produção de dados entre os estados e a ausência de cruzamento de dados provenientes de outras áreas (por exemplo, a saúde) fazem com que os esforços voltados à integração de informações devam ser tratados como prioridade.

A padronização desse processo pode ser acelerada a partir da criação, no âmbito do Ministério da Justiça, de um observatório nacional de segurança pública com o intuito de formular indicadores nacionais de segurança pública, de maneira pactuada entre todos os entes federados; produzir subsídios às políticas nacionais, estaduais e municipais; além de monitorar tais indicadores, para disponibilizar permanentemente informações de alta qualidade aos estados e municípios. No nível estadual, é preciso investir na elaboração de estratégias de integração dos sistemas de registros entre as polícias, a fim de evitar a duplicidade, tão comum à maioria dos Estados.


III.
Originada no período do governo militar, a segurança privada no Brasil vem acompanhando o crescimento da criminalidade no país e convertendo-se num mercado em constante expansão[1]. Além do crescimento da criminalidade em si, a percepção da violência e a sensação de insegurança contribuem para o acesso difundido desses serviços.

Diante de sua presença cada vez mais preponderante, o papel da segurança privada no sistema público de segurança remete ao fato de que a capacidade de fiscalização do Estado não acompanhou o crescimento desse ramo de atuação, o que dá margem à prática de atividades ilícitas, que contribuem para minar as políticas de segurança pública e enfraquecem a dimensão pública dos problemas relacionados à violência e à criminalidade. Uma estratégia baseada no controle e fiscalização deve partir da definição em consenso sobre o órgão responsável para implementar uma política regulatória do setor e para coibir o funcionamento de empresas clandestinas e de grupos de segurança informais.

A implementação de um banco de dados nacional de empresas, incluindo a obrigatoriedade de cadastro dos funcionários, pode facilitar a fiscalização e a prevenção de eventuais trabalhos paralelos de profissionais da segurança pública no seu horário de folga e o rigor necessário no treinamento dos profissionais de segurança privada.

Diante dos problemas referentes à operacionalização da segurança privada no país, bem como da premente necessidade de modernização, a Polícia Federal e outros órgãos do Ministério da Justiça, ouvidas todas as partes envolvidas na atividade, elaboraram proposta de um novo estatuto para a segurança privada que deverá ser analisada pelo Congresso Nacional em 2009.



[1] Estudos apontam que, entre 1985 e 1995, o número de profissionais incorporados à atividade de vigilância e guarda cresceu 112%. Dados de 2006 revelam que o mercado da segurança privada, como um todo, movimentou a cifra de 49 bilhões de dólares, o que significa 10% do Produto Interno Bruto brasileiro (UN-Habitat - United Nations Human Security Settlements Programme (2007). Global Report on Human Settlements 2007.London: UN-Habitat, Earthscan).

 

Índice

Conasp transitório

O ministro da Justiça, Tarso Genro, deu posse, no dia 14 de outubro, aos 48 integrantes do novo Conselho Nacional de Segurança Pública (Conasp). Reformulado, o colegido conta com representantes da sociedade civil e dos trabalhadores da área, além de indic Leia mais

Prestação de contas de passagens aéreas

O prazo para prestação de contas das passagens aéreas referentes à participação na Etapa Nacional da 1ª Conseg já expirou. Quem ainda tem pendências deve enviar via Correios, urgentemente, os Leia mais

Princípios e Diretrizes

A 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (Conseg) definiu um conjunto de 10 princípios e 40 diretrizes que servirão de base para a construção de uma política nacional de segurança pública. Confira o resultado da Conferência. Leia mais

Batucada e violão

Mulheres do grupo de percussão Batalá e o 'prata da casa' Atahualpa Fidel deram show neste domingo na 1ª Conseg. Leia mais

Corpo a corpo

Campanha na defesa de propostas na esquentou neste domingo (30) na 1ª Conseg. Trabalhadores em segurança pública, gestores e sociedade civil buscam consenso e parceria para aprovar diretrizes. Leia mais

Noite multicultural

O forró de 'Zé do Pife e as Juvelinas' e som inusitado da banda brasilisense 'Ha-Ono-Beko' embalaram os participantes da 1ª Conseg neste sábado (29). Leia mais

Momento interativo

Com bloco adesivo e caneta na mão, participantes da 1ª Conseg escreveram de próprio punho comentários para aprimorar as diretrizes elaboradas nos trabalhos em grupo. Dinâmica foi realizada neste sábado (30) e movimentou o saguão do evento. Leia mais

Segurança pública na moda

Alta costura com requinte de transformação social: desfile na 1ª Conseg apresentou peças produzidas por detentas do Paraná. Leia mais

Feira do Artesanato

Feira de Artesanato na 1ª Conseg mostra a arte feita por detentos e detentas de todo o Brasil. Leia mais

Debate intenso

Quarenta grupos de trabalho definem propostas para a construção de um novo modelo de segurança pública. Debate inclui temas como prevenção à violência, valorização profissional e gestão democrática da segurança. Leia mais

Arte e cidadania

Encenado por ex-detentos, o espetáculo Bizarrus emocionou os participantes da 1ª Conseg nesta sexta-feira (28). Peça teatral foi sucedida por um bate-papo. Leia mais

Público plural

Diversidade e integração são as palavras que resumem o ambiente nas salas, auditórios e corredores do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, onde até domingo (30) acontece a 1ª Conseg. Leia mais

Contextualização

Segundo dia de Conferência começa com painel de explicações sobre as atividades até domingo (30).  Leia mais

Intervalo musical

Show da cantora brasiliense Ellen Oléria divertiu participantes da 1ª Conseg nesta sexta-feira (28). Público se empolgou e improvisou um pista de dança no horário de almoço. Leia mais

Lula abre 1ª Conseg

Diante de um público formado por mais de três mil profissionais de segurança, membros da sociedade civil e gestores públicos, presidente Luiz Inácio Lula da Silva abre a 1ª Conseg. Leia mais

Inovação em segurança

Feira de Conhecimento reúne 41 experiências inovadoras na etapa nacional da 1ª Conseg. Nesta quinta-feira (27), o ministro da Justiça, Tarso Genro, inaugurou o espaço, que é de livre acesso à população. Leia mais

Missão cumprida

1ª Conseg define princípios e diretrizes para a construção de uma política nacional de segurança pública. Anúncio do resultado foi comemorado pelos participantes. Leia mais

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