Organizei uma Conferência Livre sobre os movimentos sociais negros. E aqui vai o meu recado: a sociedade civil precisa ser ouvida, por isso estou aqui na 1ª Conseg. Acho que os operadores da segurança pública não estão preparados para a religiosidade da matriz africana. A polícia chega e mete o pé. Não respeita a nossa manifestação religiosa. Além disso, precisamos cuidar do jovem. Nossa juventude como um todo tá morrendo e a negra, mais ainda.
Fui coordenador da Conferência Municipal de minha cidade e estou confiante que a 1ª Conseg vá melhorar as condições de trabalho dos servidores da segurança pública. Sou coronel da Policia Militar e espero que a 1ª Conseg priorize as normas de trabalho dos profissionais e que mostre que a polícia cidadã é o melhor caminho para o nosso Brasil.
"Os debates, as deliberações e a definição dos princípios e diretrizes da 1ª Conseg, especialmente na etapa nacional, são de suma importância para a consecução de uma política nacional de segurança pública, que venha a propiciar uma melhor prevenção e mecanismos eficazes de combate à violência que grassa em nosso país, com vistas a um futuro em que possamos visualizar dias de paz e harmonia para a população, o que só será viável com a participação efetiva de todos os segmentos da sociedade."
"O foco da violência hoje no Brasil são os jovens negros. O índice de morte é três vezes maior do que os jovens de pele clara. A população negra ainda é vitima dessa violência, por isso é preciso criar uma base em toda a região Nordeste com propostas consistentes de enfretamento dessa realidade. Queremos uma interlocução com a sociedade contra a discriminação racial e de gênero, inserindo essas propostas e garantindo que homens, mulheres e homossexuais negros passem a ser respeitados na nova política nacional de segurança pública."
"A 1ª Conseg é um espaço democrático destinado à sociedade brasileira para a construção de um modelo de segurança pública que venha a ter legitimidade popular nas suas ações. Serve também para chamar a sociedade a sair da sua zona de conforto e participar ativamente dessa construção inovadora, além de ser um espaço importantíssimo para o exercício da cidadania."
"Vemos a conferência com muita esperança. Depois de séculos de uma política repressiva de segurança, que vem desde a escravidão, estamos agora tentando chegar a novas posturas que atendam aos desejos da sociedade. Será um momento de esclarecimento à sociedade e de motivação aos trabalhadores de segurança, até porque precisamos trabalhar com os 98% de pessoas que não estão no crime e hoje toda energia é voltada apenas a esses 2%. Esperamos que saiam daqui propostas e princípios que venham de fato nortear uma sociedade justa e igualitária, quem sabe dentro de uma das melhores politicas de segurança pública do mundo."
"A conferência é um momento ímpar, sobretudo para aproximar a sociedade da polícia. Nós do movimento negro somos muitos recriminados e temos agora a oportunidade de trabalhar uma visão nova. Pretendemos levar nossas propostas e ter uma grande participação. Tenho certeza que daqui dessa Conferência daremos uma boa alavancada nessa discussão."
"A gente vê a Conferência com muita esperança e otimismo. Os governos federal, estaduais e municipais estão trabalhando no chamamento da sociedade na tentativa de criar uma nova política de segurança pública. Isto é novidade, já que quase tudo no poder público é montado de cima para baixo. Desta vez será diferente. Todo mundo tem uma contribuição a dar sobre a segurança pública. Como deve agir a policia? As guardas municipais devem andar armadas? As polícias devem ser unificadas ou não? O fórum adequado para discussões como essa é a Conferência e é nela que poderemos apresentar propostas consistentes que atendam aos anseios da sociedade."
"No Amapá e no Pará a maior expectativa é estabelecer uma cultura de diálogo entre os gestores de segurança, as polícias e a sociedade civil. Fiquei surpresa em ver como alguns atores historicamente reticentes a esse debate baixaram a guarda, isso é muito bacana. As pessoas estão percebendo que para mudar é preciso conversar e isso por si só já é uma grande conquista."
"Você visualiza a segurança pública de três formas: a primeira, é pela repressão. A segunda, estrutural, leva em conta os aspectos econômicos e sociais. E a terceira, que considero mais importante, está na construção de uma cultura de paz. A Conferência será o ápice de um pensar diferente e também o momento de cada policial retirar a farda e entender que faz parte da construção dessa cultura de paz. A grande expectativa a partir da Conferência é que haja uma mudança radical da segurança pública, que as pessoas saiam dos seus pedestais."
"O que nós estamos presenciando hoje é a falta de segurança em todos os sentidos. Afinal de contas estamos todos sendo tolhidos do direito de ir e vir. Não só nós, cadeirantes, mas toda a sociedade. Essa primeira conferência pode trazer muitos frutos e dar tranquilidade para os cidadãos. Quando a gente ouve falar em polícia, já tem medo. Existem muitos policias corretos e dignos da sua função. Espero que a 1ª Conseg leve essa reflexão para os policiais e para toda a sociedade."
"Todos nós somos apegados aquilo que a gente já sabe fazer. Quando aparece uma proposta diferente, é óbvio que aparecem resistências. Se os participantes da conferência vencerem essa postura acusatória e de desconfiança que prevalece nas discussões sobre segurança pública, isso já é um resultado muito bom. Outro resultado é que as pessoas aproveitem todo o processo de mobilização que está sendo construído na conferência para colocar outras demandas em pauta."
"Os debates estão sendo ótimos e a gente espera que saiam daqui boas propostas. No Brasil, a cada dois dias, um homossexual é morto. Nós, que somos gays e travestis, precisamos de um novo olhar sobre a segurança pública. Como abordar uma travesti, por exemplo? É uma pergunta que queremos ajudar a responder."
"A 1ª Conseg é um momento histórico para o Brasil. Pela primeira vez, a sociedade civil, os trabalhadores da segurança e o Poder Público, sentar-se-ão à mesma mesa para discutir e traçar diretrizes para a Política Nacional de Segurança Pública. É uma grande oportunidade para a ambiência necessária, a fim de consolidar um novo paradigma, visando efetivar a segurança pública como direito fundamental. Trata-se da reconstrução nacional da segurança pública, a expectativa é das mais alvissareiras, espera-se mudanças de atitudes, de comportamentos no sistema de segurança e de Justiça de maneira que possam trabalhar efetivamente, integrados, articulados na execução da política de segurança pública a ser referendada pelo povo brasileiro por ocasião da 1ª Conseg."
"É muito fácil a gente reclamar do governo, mas a gente tem de se preocupar é em somar com o governo. O mesmo vale para a segurança pública. Precisamos participar da democracia ativa no país e a 1ª Conseg caminha nessa direção. Democracia não é só ter direito a voto."
"A 1ª Conseg é uma forma de aproximar a sociedade civil organizada do poder público. Por meio da conferência vamos poder saber onde estão os entraves entre o poder público e a sociedade para conseguir construir dias melhores para a segurança. Acredito que este é um sonho muito capaz de ser realizado e tenho certeza que as coisas vão mudar para melhor diante dessa aproximação."
"Tenho 22 anos hoje e desde os 12 participo de um programa de monitoria escolar comunitária. Estou aqui lutando por políticas públicas que permitam inclusão social para os jovens em áreas de vulnerabilidade, como aconteceu comigo. Graças a essa nova perspectiva de segurança pública com direitos humanos é que nós temos a esperança de que o Amapá seja atendido com políticas preventivas, onde a violência seja combatida desde a raiz e não apenas com repressão. Essa primeira Conferência já é um marco histórico para isso. "
"É a primeira vez que é oportunizada à sociedade civil discutir o tema segurança pública. Isso é fundamental. Temos percebido, por meio de varias ações dos movimentos comunitários, que esta participação social é muito forte e que certamente vai pressionar positivamente o poder público a melhorar as políticas de segurança publica para mais perto dos anseios da sociedade."
"Considero de suma importância este diálogo que é feito entre diferentes que se mostram dispostos a discutir uma proposta única. Vejo isso como um avanço da democracia e da prática da cidadania ativa. Enquanto resultado, quero acreditar muito que todo esse debate seja levado em consideração e que as propostas que estão vindo do Brasil inteiro sejam estudadas e as deliberações implementadas. Me surpreendeu muito a disponibilidade dos profissionais de segurança para participar e o fato de eles estarem nos ajudando como facilitadores e se misturarem aos seus colegas de força e à sociedade civil sem evocar nenhum tipo de hierarquia."
"Acho muito importante que o tema "violências nas escolas" tenha entrado na conferência, ainda mais que ele ainda não faz parte de uma política pública federal. É a primeira vez que o MEC encampa essa idéia e consegue, por meio do MJ, colocar o tema na ordem do dia e mobilizar um grande número de professores e alunos para discutir o assunto dentro de uma conferência tão importante. O que os jovens querem? Quais as propostas dos alunos? É uma oportunidade única que não podemos deixar de aproveitar."
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1ª Conferência Nacional de Segurança Pública
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